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A elaboração do espaço Diabasis iniciou-se com o reconhecimento e legitimação do que estava presente, no desejo de tornar visíveis os elementos éticos e estéticos construídos ao longo desta travessia. O encontro de pessoas que estavam dispostas a viver a experiência dentro de uma construção horizontal foi facilitador ao florescer deste projeto. Tropicália, Lygia Clark e Hélio Oiticica foram os primeiros flashes de luz neste processo.

 

A arte materializada por Hélio e Lygia revelavam aspectos além da sua compreensão formal. O anacronismo subjetivo destas, vão sendo evocados enquanto potência criativa, que nos ensina ao longo do processo como pensar novas espacialidades, ao desconstruir o “cubo branco”, desmontando os planos ortogonais. Hélio liberta as cores que passam a se tornar corpo solto no espaço; suas novas configurações provocam sensações e percepções diferentes, incomuns. Lygia dobra, descentraliza, brinca com as formas geométricas, com a sua simetria, recortando, vazando, montando e desmontando. Muito além de uma manipulação estética, Hélio e Lygia convidam fruidores a uma experiência ética da forma.

 

A escuta sensível não se restringe às pessoas envolvidas, o espaço também possui licença poética que deve ser ouvida e reconhecida, Diabasis foi flor no inverno, queria se tornar flor na primavera, era espaço, mas não queria ser apenas contenidor, queria ser conteúdo, queria se desconstruir, recortar, vazar, participar ativamente de quem passa por ali. Mas o lugar só delimita, não? O Diabasis quis então ser tropicália, transgredir.

 

Uma sala de recepção, dois banheiros, um corredor em “L”, duas salas de atendimento e uma sala de grupo. Esta seria a sua classificação formal, a sua melhor divisão funcional, mas diante de tudo que foi escutado, mapeado e legitimado esta seria uma definição muito rasa para todo o espaço.

 

Pensando na definição de cubo e nas expressões artísticas de Hélio e Lygia, entende-se que a definição está nas suas arestas. Pouco a pouco o espaço vai então, sendo recortado, os cantos suavizados, as bordas desfeitas, adicionando-se elementos que ajudam a compor novas profundidades. Um trabalho de desconstrução, construção e reconstrução constantes que se impulsionam através da tensão psíquica constante.

 

Os limites desconstruídos não se restringem ao plano, mas também na tridimensionalidade. Novos volumes vão surgindo, criando novos planos de visão, que não se limitam às perspectivas comuns. Cada peça tem sua atmosfera e o espaço está em constante mudança, moldando-se organicamente a cada experiência vivida neste.

 

Após o egresso de atividades propostas pelo instituto, houve um período de silêncio, necessário à compreensão clara das notas musicais ali tocadas, um movimento muito próximo aos 4’33’’ de Cage. Então, invenções vão surgindo das experiências deste espaço e percebesse de maneira muito clara, que assim como as vivências, o espaço estará sempre em constante atualização.

 

Experiência e espaço, ética e estética.